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O reconhecimento (1990 – 1996)

A história do Grupo Galpão, até aqui, como definiram os próprios atores, “foi um processo lento, fervido em banho-maria, e cujos frutos só puderam ser colhidos depois de um intenso trabalho de semeadura e irrigação”. Com “Álbum de Família”, texto de Nelson Rodrigues, a colheita estava apenas começando. A montagem ampliava a presença do grupo no cenário nacional e os prêmios e críticas se multiplicavam.

Em 1991, o diretor Gabriel Villela propôs ao grupo um trabalho comum, que teria, entre outros, o objetivo de explorar a “Veraneio” como elemento cenográfico central. Era uma forma de conferir contemporaneamente às antigas carroças das trupes mambembes e levar o espetáculo a todos os cantos do país. Após dois anos de pesquisas e workshops, o texto clássico de Shakespeare se encontrava com o épico do sertão e a narrativa de Guimarães Rosa. “Romeu e Julieta” se tornaria não apenas o maior sucesso de público e crítica das montagens do grupo, mas talvez de todo o teatro de rua do país. Em um artigo, Bárbara Heliodora, crítica teatral e estudiosa de Shakespeare, resumiu a importância da peça: “O ‘Romeu e Julieta’ de Villela e do Galpão é uma montagem definitiva”.

Obtido o reconhecimento do grupo junto ao público e ao meio teatral e, ainda sob o impacto da perda de sua fundadora, Wanda Fernandes, falecida em acidente automobilístico, o Galpão retomara a parceria com Gabriel Vilella em “A Rua da Amargura”. O nome do espetáculo não apenas refletia os passos amargos da paixão de Cristo, mas o próprio estado emocional vivido pelo grupo durante todo o processo. Junto aos sucessivos prêmios, as excursões se multiplicavam e o imenso cenário e os vários baús entravam e saiam de caminhões que corriam todos os cantos do país e do exterior.

Depois de realizar o Festival de Teatro Internacional (FESTIN), em 1990 e 1992, o Galpão comandou a primeira versão do Festival Internacional de Teatro de Palco e Rua de Belo Horizonte (FIT), em 1994. O projeto se tornou um grande sucesso, mantendo-se até hoje, com periodicidade bienal, da Fundação Municipal de Cultura.

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