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A consolidação de um grupo múltiplo e heterogêneo (2000 – 2008)

Na virada do século, o Galpão começava o ano com um convite para se apresentar no “Shakespeare’s Globe Theatre”, em Londres. “Romeu e Julieta” seria o primeiro espetáculo brasileiro a subir nesse palco para duas semanas de temporada. Os ingleses, amantes inveterados do teatro e, especialmente, de Shakespeare, lotavam todas as apresentações e o que até então soava como infidelidade, ficaria consagrado como um resgate da mais genuína herança popular do teatro do dramaturgo inglês. Foi também durante essa temporada, que o diretor Robert Lepage assistiu ao Galpão, e quatro anos mais tarde, convidaria a atriz Teuda Bara para fazer parte do seu espetáculo “K.À”, junto ao Circo du Soleil.

No final do ano 2000, o grupo estreava “Um Trem Chamado Desejo”, com direção de Chico Pelúcio, música de Tim Rescala e dramaturgia de Luís Alberto de Abreu. A montagem tornou-se um retrato vivo da própria história e vivência da companhia mineira, ganhando os principais prêmios em Minas Gerais e São Paulo.

Já em 2001, o Galpão iniciava sua parceria com o ator e diretor Paulo José com a adaptação, para a televisão, do espetáculo “A Rua da Amargura”, no especial “A Paixão Segundo Ouro Preto”. No ano seguinte, completando vinte anos de atividades, o grupo apresentou o repertório de seus últimos cinco espetáculos em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, além de fazer uma longa turnê pelas capitais nordestinas.

Em 2003, o Galpão lançou os diários de montagem de quatro de seus espetáculos – “Romeu e Julieta”, ”A Rua da Amargura”, “Um Molière Imaginário” e “Partido” -, que se propunham a realizar um relato do dia a dia dos ensaios e do processo de criação do grupo. No mesmo ano, estreava “O Inspetor Geral”, de Nicolai Gógol, dirigido por Paulo José, mestre da “dramaturgia da palavra na boca do ator”. O espetáculo que apresentava uma crítica feroz à corrupção e aos maus costumes dos governantes da Rússia Imperial cumpriu temporadas nas principais capitais do país.

No ano de 2005, o Galpão empreendeu três grandes turnês para regiões distantes do país, com pouco ou nenhum acesso às atividades e equipamentos culturais. O grupo viajou pelo Vale do Jequitinhonha (MG), centro-oeste e nordeste do país, levando espetáculos tanto para salas de teatro quanto para as ruas.

Ainda nesse ano, estreava o segundo espetáculo, com direção de Paulo José: “Um Homem é um Homem”, de Bertold Brecht. Mantendo o espírito fabular da obra, o grupo fez algumas adaptações, a fim de criar conexões mais diretas com a atualidade, assim como já havia acontecido com “O Inspetor Geral”. O espetáculo fez uma temporada de três semanas num circo armado, na área externa da Casa do Conde, em Belo Horizonte.

Em 2006, o Galpão lançou a campanha “Conte sua história”, em que o grupo convidava o público a participar da próxima montagem, dirigida por Paulo de Moraes, enviando histórias reais. No mesmo ano, o grupo lançava o DVD com o documentário “Grupo Galpão, a história de um dos mais importantes grupos de teatro do Brasil”, produzido por Paulo José e sob direção de Kika Lopes e André Amparo. No ano seguinte, estreou “Pequenos Milagres”, montagem baseada em algumas das mais de 600 histórias que o grupo recebeu do público na campanha “Conte sua história”. Ainda neste ano, o Galpão comemorou seus 25 anos, lançando uma série de livros com textos de suas principais montagens, além do DVD com a apresentação da peça “Romeu e Julieta”, no Globe Theatre, em Londres.

O ano de 2008 foi marcado pelo belo e frutífero encontro do Galpão com o cineasta Eduardo Coutinho, que propôs documentar ensaios, dirigidos por Enrique Diaz, a partir do texto “As Três Irmãs”, de Anton Tchékhov. A montagem que nunca viria de fato a se concretizar, o que já era planejado, acabou originando o documentário “Moscou”, além de ter sido a porta de entrada para o mergulho que o grupo faria na obra do dramaturgo russo, nos anos seguintes.

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