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Voltamos a Santiago. Ainda a tempo de assistir à ópera de Goran Bregovic, o músico sérvio, que  fez algumas dobradinhas com o cineasta Emir Kusturica em filmes como “Vida de cigano” e “Gato preto, gato branco”. Dessa vez, ele apresenta uma versão cigana da ópera Carmen de Bizet. O nome so espetáculo é “Carmem com um final feliz” e reatuliza a história de Carmem através da história de prostitutas, cafetões e uma banda cigana. A parte teatral é meio canhestra e, talvez por isso mesmo, bastante engraçada. A música é maravilhosa, com as vozes ciganas e o instrumental levantando a platéia de forma arrebatadora. Nosso “Till” é bastante devedor de Goran Bregovic, especialmente na área musical.
A participação do Galpão no festival “Santiago a Mil” já rendeu bons frutos em termos de contatos. O evento conta com um eficiente sistema de contatos, estabelecido através do convite de vários agentes de festivais. Existe uma preocupação dos organizadores que os grupos chilenos mostrem seus trabalhos, isso sem contar com um grande percentual de co-produções que são feitas pelo próprio festival com diferentes grupos e instituições de outros países. Nossas apresentações renderam convites para participação de festivais em Cádiz e Tarega, na Espanha, o festival Ibero-americano de Salvador. Além de vários olheiros que se interessaram pelo trabalho como os diretores do festivais de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, um festival Ibero-americano no estado de Oregon, nos Estados Unidos, além do diretor do festival de Buenos Aires. Claro que o percurso até a concretização de uma turnê internacional é muito longo e é precipitado pensar que vamos ou não concretizar os convites e os contatos, mas eles nos dão a certeza de que o trabalho foi muito bem recebido.
Uma das coisas que, creio, mais comove ao público aqui no Chile, é o fato de nos esforçarmos para falar o texto em espanhol e usando várias expressões locais. Isso traz uma grande proximidade e faz com que as pessoas muitas vezes se emocionem, como o caso da citação ao copillo, uma árvores típica do país. Ajuda também na aceitação do espetáculo nas praças de língua espanhola. Foi talvez nossa melhor experiência de tradução de obras para serem apresentadas a um público estrangeiro. Isso devemos ao trabalho e a consultoria competente e paciente da Sara Rojo, que nos propôs ótimas soluções para algumas expressões típicamente chilenas para algumas passagens do texto.
Ontem fizemos o primeiro espetáculo da última localidade da nossa gira. É a municipalidade de Kilicura, ao norte de Santiago. Como em Cerro Navia, o terreno é de areia calcárea, de uma secura que castiga a pele e os olhos. Estamos instalados ao lado de um parque de diversões, o que dá um toque mais poético ao lugar. O público se atrasa e as arquibancadas só lotam quase quinze minutos depois do espetáculo começado. Como diria aquele secretário de cultura de uma cidade do interior do Nordeste, no Brasil – “Aqui, o povo também não tem esse vício de chegar na hora!” . Ainda que o público seja mais ingênuo e interaja menos em algumas passagens, a reação final é entusiasmada. O grupo parece também padecer do cansaço decorrente das seguidas apresentações e viagens e algumas cenas acabam se arrastando.Depois do espetáculo, a municipalidade nos convida para um jantar numa casa dançante com muita cerveja e concurso de uma dança típica chamada “cueca”. Nosso técnico chileno, o simpático Nacho, que acompanha nossa jornada desde a primeira apresentação, é um dos vencedores do concurso de “cueca”.
Chegamos de madrugada ao nosso novo hotel no parque Bustamante, próximo à estação de Baquedano. Carregando Bárbara, nossa filha adormecida, e nosso cansaço, nos arrastamos até o quarto. Lá fora, a salsa come solta , enquanto travestis e prostitutas ganham duramente a vida nas imediações do parque em frente ao hotel.
Voltamos a Santiago. Ainda a tempo de assistir à ópera de Goran Bregovic, o músico sérvio, que  fez algumas dobradinhas com o cineasta Emir Kusturica em filmes como “Vida de cigano” e “Gato preto, gato branco”. Dessa vez, ele apresenta uma versão cigana da ópera Carmen de Bizet. O nome so espetáculo é “Carmem com um final feliz” e reatuliza a história de Carmem através da história de prostitutas, cafetões e uma banda cigana. A parte teatral é meio canhestra e, talvez por isso mesmo, bastante engraçada. A música é maravilhosa, com as vozes ciganas e o instrumental levantando a platéia de forma arrebatadora. Nosso “Till” é bastante devedor de Goran Bregovic, especialmente na área musical.
A participação do Galpão no festival “Santiago a Mil” já rendeu bons frutos em termos de contatos. O evento conta com um eficiente sistema de contatos, estabelecido através do convite de vários agentes de festivais. Existe uma preocupação dos organizadores que os grupos chilenos mostrem seus trabalhos, isso sem contar com um grande percentual de co-produções que são feitas pelo próprio festival com diferentes grupos e instituições de outros países. Nossas apresentações renderam convites para participação de festivais em Cádiz e Tarega, na Espanha, o festival Ibero-americano de Salvador. Além de vários olheiros que se interessaram pelo trabalho como os diretores do festivais de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, um festival Ibero-americano no estado de Oregon, nos Estados Unidos, além do diretor do festival de Buenos Aires. Claro que o percurso até a concretização de uma turnê internacional é muito longo e é precipitado pensar que vamos ou não concretizar os convites e os contatos, mas eles nos dão a certeza de que o trabalho foi muito bem recebido.
Uma das coisas que, creio, mais comove ao público aqui no Chile, é o fato de nos esforçarmos para falar o texto em espanhol e usando várias expressões locais. Isso traz uma grande proximidade e faz com que as pessoas muitas vezes se emocionem, como o caso da citação ao copillo, uma árvores típica do país. Ajuda também na aceitação do espetáculo nas praças de língua espanhola. Foi talvez nossa melhor experiência de tradução de obras para serem apresentadas a um público estrangeiro. Isso devemos ao trabalho e a consultoria competente e paciente da Sara Rojo, que nos propôs ótimas soluções para algumas expressões típicamente chilenas para algumas passagens do texto.
Ontem fizemos o primeiro espetáculo da última localidade da nossa gira. É a municipalidade de Kilicura, ao norte de Santiago. Como em Cerro Navia, o terreno é de areia calcárea, de uma secura que castiga a pele e os olhos. Estamos instalados ao lado de um parque de diversões, o que dá um toque mais poético ao lugar. O público se atrasa e as arquibancadas só lotam quase quinze minutos depois do espetáculo começado. Como diria aquele secretário de cultura de uma cidade do interior do Nordeste, no Brasil – “Aqui, o povo também não tem esse vício de chegar na hora!” . Ainda que o público seja mais ingênuo e interaja menos em algumas passagens, a reação final é entusiasmada. O grupo parece também padecer do cansaço decorrente das seguidas apresentações e viagens e algumas cenas acabam se arrastando.Depois do espetáculo, a municipalidade nos convida para um jantar numa casa dançante com muita cerveja e concurso de uma dança típica chamada “cueca”. Nosso técnico chileno, o simpático Nacho, que acompanha nossa jornada desde a primeira apresentação, é um dos vencedores do concurso de “cueca”.
Chegamos de madrugada ao nosso novo hotel no parque Bustamante, próximo à estação de Baquedano. Carregando Bárbara, nossa filha adormecida, e nosso cansaço, nos arrastamos até o quarto. Lá fora, a salsa come solta , enquanto travestis e prostitutas ganham duramente a vida nas imediações do parque em frente ao hotel.

6 Respostas para “”

  1. Sou uma estudante de teatro e uma atriz aspirante, tenho 27 anos e faço teatro desde os 09 anos de idade, sempre acompanho o trabalho de vcs, me emocionei vendo o DVD do grupo, fiz um estudo sobre o grupo galpão nas minhas aulas de teatro brasileiro, é impressionate o cenário, os textos, tudo se transforma na mão de vcs e lendo esses textos por onde passam eu penso: São artistas verdadeiros, que se entragam a essa arte de interpretar de uma maneira sem igual, e não adianta ninguém tentar imitar são quase 30 anos de histórias e os meus aplausos pra vcs serão sempre de pé….

  2. Caros do galpão que lindo poder saber das andanças de vcs através do blog.Idéia de diário é matavilhosa e compartilhar melhor ainda. Sucesso na turne, vida longa ao Till nessa jornada internacional. On Shanti. Abraços com carinho

  3. “Till” é um trabalho primoroso dessa consagrada companhia de teatro brasileira. A simplicidade tragicômica desse herói torto não poderia ser melhor escolhida para ser encenada em Santiago, uma cidade de gente tão humilde e acolhedora.

    Eu viajo nesses textos dos bastidores da turnê chilena, imaginando as emoções e as cores desses momentos de arte e encantamento. Parabéns ao Galpão e continuem caminhando com esses passos fortes, cheios de brilho.

  4. Bravo! Parabéns pelas conquistas, Galpão

  5. Só quero agradeçer pela energía boa que vcs deixaram em Quilicura, umas das comunidades mais devastadas por causa do terremoto en Santiago. Foi increivel ver como a magia do teatro fica alem da lingua e consegue captar a atenção de todo o mundo. Não foi o melhor espaço para a montagem do galpão, mais só com a energía de vcs, ese clima de familiaridade fez que tudo fose perfeito, até o parquinho do lado deu aquele toque poético como vc bem falou eduardo. Um grande abraço para a familia do Grupo Galpão.

  6. Edú,

    Muito interessante a trajetória de vocês no Chile.
    Que bom que o “portunhol” funcionou.
    Espero que renda frutos para outros países e
    Espanha.

    bjo,
    Isabel Jimenez

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