->AVIGNON OU A URGÊNCIA DA POLÍTICA

Desde o ano passado que Avignon e seu festival de teatro rondavam minha cabeça. O festival, hoje um dos mais extensos e importantes do mundo junto com o de Edimburgo (Escócia), teve sua primeira edição concebida e heroicamente executada pelo diretor francês Jean Vilar. Vilar foi o criador do “Théâtre National Populaire” que foi um dos principais centros de discussão teatral na França ao longo do século XX. O festival, criado em 1946, um ano após o término da avassaladora e traumática segunda guerra mundial, serviu como uma forma dos franceses recuperarem sua autoestima. A Europa estava arrasada e em crise social, política e econômica e o caminho para se reerguer foi o de reafirmar a vocação artística e cultural da França e do continente.

Vilar propôs ao governo do general De Gaulle transformar a cidade feudal dos papas de Avignon numa capital mundial do teatro , ao longo do mês de julho, em pleno verão europeu, época em que as grandes cidades se esvaziam e os europeus buscam as regiões da campanha. Hoje, a Avignon antiga, um sítio histórico todo cercado de muros feudais, agrega em seus limites mais de cento e cinquenta teatros e espaços abertos  adaptados para a prática teatral. De 04 a 25 de maio, estão em cartaz mais de trezentos e setenta espetáculos, só na mostra OFF e mais de 40, na mostra oficial. A grande maioria é de espetáculos franceses, mas existem grupos da Bélgica ( que ocuparam um teatro), Coréia do Sul, Austrália e até do Brasil (um espetáculo sobre Nijinski) de uma companhia de São Paulo.

Além da enorme variedade de espetáculos, Avignon ainda conta com uma extraordinária exposição sobre o diretor de teatro, ópera e de cinema, Patrice Cheréau. Recentemente falecido, Chéreau é mais conhecido internacionalmente por ter dirigido  o filme “Rainha Margot”. O festival ainda conta com uma série enorme de debates, palestras, discussões, ciclos de conferências, encontros e muitas conversas em bares, restaurantes, boulangeries e em cada esquina. O que se atesta aqui é a paixão dos franceses e dos europeus em geral, pelo teatro. Todos os espetáculos, apresentados de nove da manhã até às onze da noite,  estão bem cheios, e os mais comentados e bem avaliados, tem enormes filasse espera. É uma verdadeira guerra conseguir um lugar nas filas “d’attente”.

As ruas estão apinhadas de atores distribuindo panfletos e filipetas, fazendo cenas de suas peças e números musicais para tentar atrair a atenção dos espectadores. Os muros da cidade estão tomados por uma fileira interminável cartazes dependurados. O calor insuportável ( fala-se de 38 graus à sombra!) não consegue vencer o ânimo e o entusiasmo dos que divulgam seus espetáculos e dos espectadores ávidos por assistir algo. Tudo isso me faz pensar sobre a natureza absolutamente anti-burguesa da atividade teatral. Não somos celebridades e sim, ao contrário, estamos sempre atrás do público , procurando chamar sua atenção, trazê-lo para dentro daquilo que fazemos. num permanente jogo de sedução em que nos irmanamos com os prestidigitadores, os vendedores ambulantes, as prostitutas. Sempre correndo atrás da sedução dos olhos de quem possa vir a nos assistir. Os atores nas ruas de Avignon buscando ávidamente capturar o público me faziam todo o tempo me lembrar dessa essência absoluta do teatro.

Retomando o fio da meada que abriu esse texto – por que Avignon esteve desde o ano passado em minha cabeça? Antes de mais nada, porque o Galpão tinha tido uma proposta de arriscar a ocupação  de um espaço dentro do festival junto com outros grupos brasileiros. O espaço teria que ser montado às nossas custas, assim como teríamos que arcar com boa parte dos gastos de transporte, alimentação e hospedagem. A proposta, a princípio sedutora como um possível investimento de risco para a nossa carreira internacional, acabou por se revelar inviável em função dos custos elevados e também pelas precárias condições de montagem e de desmontagem, que teriam que ser feitas muito rapidamente, o que, certamente, prejudicaria muito a qualidade do formato dos espetáculos do Galpão. Feitas as contas e colocados na balança, os prós e os contras, desistimos do projeto.

Mas Avignon voltou à minha agenda como curador do FIT, o festival internacional de teatro de Belo Horizonte. A passagem, conseguida aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, foi patrocinada pela embaixada da França no Brasil. Aliás, o Brasil é o lugar no mundo onde existem mais estudantes de francês matriculados nas alianças da língua de Molière e Baudelaire. O dado, confesso, me surpreendeu. Tudo isso combinou com uma pausa na extenuante agenda do Galpão. E lá fui eu, fazendo contatos de ultima hora, respondendo requerimentos do setor cultural do consulado, arrumando as malas em meio a temporada em São Paulo e viagens por Poços de Caldas e Araraquara.

No voo São Paulo-Paris, viajo acompanhado por um grupo de jovens bailarinos brasileiros que vão fazer um workshop com Ismael Ivo, o extraordinário bailarino e artista brasileiro que, depois de encantar Nova York com seu trabalho com Alvin Ailey, partiu para fazer uma brilhante carreira de pesquisa na Alemanha e na Europa. Todos os bailarinos são muito jovens e de origens bem humildes. Vem das periferias das grandes cidades brasileiras. Conversar com esses jovens e perceber sua empolgação pela oportunidade de trabalho, me anima. Me dá a sensação de como somos  capazes de dar a volta por cima, por mais que as condições sejam desfavoráveis ou pouco propícias. Uma das meninas é de Belo Horizonte e me diz que a mãe sempre a levava para assistir aos espetáculos do Galpão, especialmente na rua.

Terminada a viagem de São Paulo a Paris, fixo os olhos na tela com o anúncio de nossa descida no aeroporto Charles de Gaulle,e vislumbro na TV do monitor do avião a distância percorrida: quase dez mil quilômetros. Agora estou cinco horas adiantado. Tudo definitivamente está fora da ordem e a adaptação precisa ser feita a fórceps.

Depois de me informar e ficar sabendo se o meu TGV para Avignon sairá da parte sul ou norte do terminal, finalmente consigo entrar num trem abarrotado de malas e de pessoas. Meu vagão está apinhado de famílias com muitas crianças que fazem uma enorme algazarra. Parece que os franceses  estão definitivamente disposto a correr à la recherche du temps perdu”, fazendo muitos filhos.

Chego a Avignon às 15 horas. O calor é digno de fritar um ovo na calçada. Faltam táxis. O que dizem que é uma praxe durante o festival de teatro. Preciso correr para me inteirar da programação do festival. A produção do FIT não conseguiu articular quase nada de contatos. É preciso correr contra o tempo. Consigo, a duras penas, um táxi para o hotel Adonis, situado na periferia ao sul de Avignon. A ocupação da cidade na sua periferia é triste, cinzenta e opressiva. Os conjuntos residenciais parecem as edificações da arquitetura socialista. Uma arquitetura meramente utilitária, maçante, sem nenhuma poesia. Tudo tediosamente planejado dentro dos moldes do pragmatismo e do utilitário. Chegando a Paris, no caminho do aeroporto até o rio Sena, temos exatamente a mesma sensação de um mundo que vai se tornando cada vez mais feio, sempre regido pelas normas do economicismo pragmático.

Feito um rápido reconhecimento do quarto onde dormirei a próxima semana, desfaço rápidamente alguns itens essenciais da mala e corro para o centro da Avignon antiga. Já de posse do grosso programa do OFF do festival, pego um táxi que me leva até ao escritório central do festival. O motorista, um negro simpático e falante, me conta que Avignon se transforma com o festival. É a estação em que os comerciantes e os prestadores de serviços tiram o pé da lama. No console do carro está o Alcorão numa bonita edição com os desenhos árabes.

A diretora do festival não está no escritório. Só me resta sentar e tentar entender a estrutura do festival e arriscar alguma peça para o dia de hoje.  O ritmo da cidade é absolutamente festivo, muitas pessoas correm de um lado para o outro, tentando reservar lugar para os espetáculos mais concorridos. Muitos turistas asiáticos e orientais passeiam pelas ruas estreitas um pouco alheios a tudo aquilo. Na sede do festival desenrola-se um caloroso debate sobre a questão da diminuição progressiva dos recursos do Estado para a cultura e as artes. Os franceses sentem-se ofendidos pela progressiva abstenção do Estado nas questões da cultura. A verdade é que a Europa ( talvez com a exceção da Alemanha) não conseguiu sair da crise que já se estende por bons anos e a cultura, em especial, sofre uma substancial redução em seus aportes de verbas. O próprio festival de Avignon teve seu período de duração brevemente reduzido em função desse declínio.

Como em todo o mundo, também na França a questão da política explode. Não poderia ser diferente com o festival. O tema da imigração e da relação da sociedade francesa com os emigrantes, especialmente os árabes, está presente em muitas peças e nas conversas nos bares e nas ruas. País que colonizou uma larga faixa da África do Saara, a França tem uma ampla comunidade de origem árabe que tem cidadania francesa. Ao contrário dos latinos e africanos negros, os árabes mostram-se muito mais reticentes em se misturar com os hábitos e os princípios da república. O diretor geral do festival, o ator e diretor Olivier Py, diz no seu texto de apresentação do programa de Avignon que “a França só poderá superar a violência e o trauma do atentado ao “Charlie Hebdo” através do incentivo à arte e a cultura.

Enquanto setores significativos da sociedade francesa tendem cada vez mais para uma perigosa posição xenófoba, que a aproxima da extrema direita, o teatro busca uma atitude de diálogo e de aproximação. Na televisão surge com frequência a figura falante e simpática de Marie Le Pen, a musa da extrema direita francesa. Ela fala da greve dos camioneiros que interrompeu o país, especialmente na rota de Lyon. Enquanto o monsieur socialista parece meio aparvalhado, a senhora reacionária parece se sentir à vontade na oposição. Mas, voltando à seara do teatro, muitas peças trataram da questão da interseção das culturas árabes e francesa. É o caso de espetáculos como “Les Cavaliers” que faz um mergulho na tradição oral dos griots, através da adaptação de um conto afegão. Algumas produções do “Théâtre de la Manufacture” como “Finir en beauté” e “page en construcción” que tratam de gamas sensíveis aos habitantes provenientes de países árabes (Tunísia e Argélia) e que vivem na França. Além de serem produzidos e representados por artistas que, vivendo na França, são originários desses países, os espetáculos propõe um caminho de entendimento e compreensão com a alteridade. Uma tentativa de propor alternativas de como as culturas distintas podem conviver, se alimentando e se enriquecendo mutuamente. Essa é a utopia que se contrapõe ao preconceito e à intransigência.

Outro sintoma dessa preocupação que ecoa no país e no festival é a inclusão da ótima produção egípcia “The last super”, dirigida por Ahmed Al Attar, que retrata o grotesco e frívolo jantar de uma família da alta burguesia do Cairo. Durante a refeição, reina a futilidade, o desprezo pelo próprio país, a obsessão pelo consumo e pelos artigos importados e o mais absoluto desrespeito pelas classes menos favorecidas. Os empregados são tratados como cachorros. Qualquer semelhança com nossa descontente e mobilizada classe alta, não é mera coincidência. O elenco é muito bom, com tipos extremamente engraçados e expressivos, numa crítica mordaz ao desinteresse cruel e mesquinho das classes dominantes pelos destinos de seus próprios países.

Nas páginas dos jornais franceses o festival de Avignon é tratado com pompa e resistência. O “Le Monde” e o”Liberation” trazem resenhas diárias e os dois principais jornais lançaram extensos cadernos especiais por ocasião do lançamento do festival. As manchetes da semana tratam com grande destaque da devastadora invasão de mais setecentos mil refugiados , tentando encontrar abrigo nos países do continente. A grande maioria proveniente da Síria, Líbia, Afganistão, Iraque e também dos países dos Balcãs. Na Alemanha, a extrema direita faz atentados e incendeia sete abrigos para refugiados e jura ódio e vingança ~a política conciliadora e remediadora de Angela Merkel e da União Européia. Em Avignon, depois da vitória da extrema direita nas prévias das eleições, a direção do festival ameaçou abandonar a cidade sob a justificativa que a prática do teatro não se coaduna com as políticas pregadas pela extrema direita. O resultado foi que os comerciantes, a atividade econômica local e a comunidade se mobilizaram e conseguiram alterar o quadro. A política ferve na Europa e no mundo.

E falando de política, foi muito bom assistir à estreia da nova peça de um dos grandes expoentes do atual teatro portento, o dramaturgo e diretor Mariano Pensotti, que já havia causado grande sensação com seu texto “El passado es un animal grotesco” e que, trouxe para uma co-produção com Avigno, o espetáculo “Cuando vuelva a casa voy a ser otro”. As duas encenações seguem uma estrutura de cenários que se deslocam como esteiras rolantes. Os dois textos são verdadeiros épicos generacionais. No caso de “Cuando vuelva a casa…”, Pensotti faz um comovente retrato da geração argentina pós golpe militar a partir de coisas que um pai, um militante de esquerda,  enterrou no jardim de sua casa e que são desenterradas vinte e cinco anos depois. Tudo isso é encarnado cenicamente pelos atores de sua companhia, todos representantes da boa e velha escola realista do teatro argentina. A dramaturgia de Pensotti faz, com muita delicadeza e habilidade, a fusão entre as linguagens do cinema e do teatro, numa estrutura dramaturgia que traz reflexão e emociona. A Argentina esteve também presente na mostra oficial com outro espetáculo – “Dínamo” de Claudio Tolcachir, uma produção da consagrada companhia “Timbre 4”.

Num momento tão repleto de indagações e perplexidades políticas, é natural que o festival de Avignon abrisse um espaço significativo para Shakespeare ( “o carvão que nos aquece”, como diria Peter Brook). O diretor do festival, Olivier Py apresentou “Rei Lear”, o jovem diretor portuguIes Tiago Rodrigues trouxe uma versão de “Antonio e Cleópatra” com dois atores-bailarinos, e a grande sensação foi, sem dúvida, a versão de “Ricardo III” do alemão Thomas Ostermeier.

Ostermeier fez história no teatro alemão com o grupo “Baracke” e sucedeu o memorável Peter Stein, na direção do “Schaubune” teatro de Berlim. É, sem dúvida, um dos ícones do teatro na Europa hoje, tendo um acento bastante político em todas as suas encenações. Suas montagens de “Um inimigo do povo” de Ibsen e “Hamlet” de Shakespeare são consideradas obras primas. A “Schaubune” é hoje sinônimo de qualidade e sofisticação. Companhia de atores , técnicos e produtores que praticam a autogestão, em que todos participam das decisões sobre o que montar,a “Schaubune” é um teatro que recebe uma subvenção de doze milhões de euros por ano, conseguindo uma média de receita de dois milhões de euros de bilheteria em Berlim e uma média de dois milhões de euros em turnês pelo mundo. Portanto, do orçamento geral da instituição, 75% é bancado e 25% provem de receitas próprias.

Numa manhã de sábado escaldante, com uma platéia ao ar livre, abanando leques distribuídos pela organização do festival , peguei uma parte do debate que juntou Olivier Py e Ostermeier. O tema era Shakespeare. No livro lançado em Avignon, com entrevistas de Ostermeier para o crítico alemão Gerhard Jorder, lançado pela editora “L’Arche”, ele diz num determinado momento que uma das razões da crise da arte dramática é a ausência de empatai no mundo. A incapacidade da nossa época de se ater, de se preocupar com o outro, de se confrontar com a alteridade. Uma época que que aboliu o amor em troca da amizade porque, ao contrário do amor, a amizade nos dispensa de ter que dar aquilo que o amor exige. O amor exige uma contrapartida de construção e de reconhecimento que fica dispensada ou afrouxada na amizade. A nossa sociedade do bem estar, segundo o diretor, também teria abolido a ideia da morte, da embriaguez, da transgressão, da desinibição, “tudo aquilo que é da ordem do visceral, do espiritual e do transcendente. E também da ordem da comunidade  e da solidariedade. No fundo, nos tornamos extremamente acanhados e puritanos”.

Domingo de manhã. Saio mais cedo do meu hotel na parte sul da cidade e caminho pelos arredores. É dia de mercado na praça central. Nas ruas, portarias dos conjuntos habitacionais, nos pontos de ônibus, todos usam véus,turbantes, túnicas e lenços revestindo as cabeças. Fora dois franceses bem velhinhos caminhando pesadamente com suas bengalas, só encontro árabes e muçulmanos nas ruas. No ônibus, ninguém fala francês, com exceção do motorista. É um mundo alheio à sociedade onde está inserido, ao país em que vivem. Uma manada isolada. Aposto que ali ninguém tem a mínima ideia do que se passa no festival. A trágica experiência da radical ausência de alteridade.

Oito dias de viagens, contando os dois deslocamentos internacionais entre o Brasil e a França.Em seis dias, consegui assistir a dezoito espetáculos. Há uma certa tendência vazia de se usar projeções de vídeo e de imagens que não tem o menor sentido dramatúrgico. É o que acontece, por exemplo, no ótimo espetáculo musical da banda ucraniana  “Dakh daughters”. As seis atrizes fazem uma primorosa combinação de canto polifônico (ao estilo “Vozes búlgaras”) e irreverência punk. Muito bom também os números de circo moderno dos jovens artistas do “Knee Deep” da Australia. Consegui ainda assistir à sensação da mostra OFF, que foi o espetáculo “Réparer lés vivants”, um monólogo que é uma adaptação do romance de Mayles de Karangal, qua conta a história de um jovem de dezoito anos que, após sofrer um acidente, tem morte cerebral. O ator, Emmanuel Noblet, muito bom, começa fazendo o menino e depois passa a maior parte da peça, encarnando o médico que luta para que os órgãos do acidentado sejam doados. Tudo é muito justo e na medida certa, abordando um tema bastante delicado com sensibilidade e descrição. É uma pena que seja mais um monólogo, essa imposição feita ao teatro, muitas vezes por razões econômicas. Outro espetáculo que me tocou bastante foi ‘The great disaster”, mais uma produção do “Manufacture”, um texto de Patrick Kermann, que relata o desastre do Titanic contado a partir do ponto de vista de Giovanni Pastore, um empregado que lavava pratos na transatlântico. O ator que encarna o personagem faz o monólogo de cinquenta minutos, sem se mexer e sem nenhum recurso de luz. Nada de artifícios teatrais, apenas o poder da palavra ( ainda que o francês tenha me escapado bastante).

Retorno para Paris onde pernoito antes de voltar para o Brasil. Fico hospedado num daqueles hotéis caixote ao lado do aeroporto. Aproveito para caminhar pela margem do Sena e ver um pouco Paris. A temperatura está bem mais amena. Caminho pelas ruas do “Le Marais”, especialmente a simpática praça Vosges, onde está a casa de Victor Hugo. Passando em frente à antiga sinagoga desse bairro, que já foi habitado maciçamente por judeus, sentimos o clima que ronda a França. Soldados do exército montam guarda acintosamente em frente à bela fachada da sinagoga. Dizem por aqui que muitos judeus estão saindo da França em direção a Israel.  Ainda ronda entre os franceses um temor e uma fissura social que eclodiu com o apavorante atentado ao Charlie Hebdo. A velha Europa tenta resistir com seus princípios republicanos e democráticos. O teatro e a cultura continuam sendo uma de suas melhores armas.

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