->DIÁRIO DE BORDO 1

Depois da participação em dois festivais de Inverno nas cidades de Ouro Branco e São João delRey, já estamos de novo na estrada, para fazer apresentações em nove cidades do Triângulo ( Uberaba, Ituiutaba, Uberlândia e Araguari), Patrocínio e São Gotardo e Norte de Minas( Pirapora, Montes Claros e Bocaiúva).
Ouro Branco marcou a estréia de “Pequenos Milagres” num palco montado na rua. O Festival, muito bem concebido pelo nosso querido Ildeu, tem uma programação de primeira, com um olhar artístico muito apurado, o que nos deu confiança para topar o desafio de levar o espetáculo para a praça pública. O resultado, ainda que em alguns momentos difíceis para a concentração dos atores, me pareceu bastante positivo. Apesar do vento e do frio , tivemos uma platéia de umas seiscentas pessoas bastante atentas em tudo que se passava em cena. A temática e a abordagem das histórias da peça tocam de maneira especial o público de cidades do interior, e é muito bom termos viabilizado minimamente a mambembice do “Pequenos Milagres”. Infelizmente as limitações ainda existem, e nessa turnê que se inicia apenas Uberaba será contemplada com a apresentação do espetáculo, uma vez que as outras cidades não dispõem de espaços com mínimas condições de receber o trabalho.
Nossa primeira parada foi no teatro Sesiminas de Uberaba, um moderno e muito bem montado espaço cultural que além de um teatro bem equipado para 530 espectadores, conta com salas de ensaio, um café com um amplo espaço onde acontecem shows. As condições dadas pelo espaço são de primeira linha e o SESI tem todas as condições para se firmar como um pólo de cultura do Estado. Apesar da divulgação ter deixado a desejar um pouco, estreiamos para quase quatrocentos espectadores e a nossa perspectiva é que hoje o público aumente mais.
Infelizmente não tivemos contato com os grupos locais. Não foi possível ( deconheço o motivo) fechar encontros ou oficinas na cidade. Uberaba, apesar de uma cidade bastante próspera, me parece ter um movimento cultural muito incipiente e que enfrenta muitas dificuldades para se firmar.A cidade, apesar de alguns pontos turísticos simpáticos, como a mata do Ipê e alguns casarões no centro que saltam aos olhos, é estranhamente árida. As ruas e as calçadas são totalmente desprovidas de árvores. A última e única vez que estivemos aqui foi no Cine-teatro Municipal, onde apresentamos “A Rua da Amargura”. Houve também uma apresentação de “Romeu e Julieta” em frente a uma igreja de tijolos.Não sei até que ponto a cidade mantêm mais vínculos com a realidade de São Paulo, mas o fato é que não temos muitas notícias do que acontece por aqui. Hoje, domingo, será nossa segunda e derradeira apresentação, e acho que terei alguma chance de procurar saber quem e o que anda acontecendo pela cidade.

2 Respostas para “DIÁRIO DE BORDO 1”

  1. Nossa eu estou impressionado… quanta dedicação que trabalho lindo esse… gostaria de ver…. e sentir… abraços

  2. Uberaba é árida sim. Não só na falta de árvores pela cidade, mas também no trato com a cultura. Antes do Sesi se firmar como centro cultural, tínhamos pouquíssimo acesso aos “pequenos milagres” feitos por aqui – as apresentações de jazz na segunda em um bar legal, as peças feitas pelo teatro-experimental de Uberaba (TEU). E agora temos o Grupo Galpão trazendo uma montagem linda, emotiva para o interior de Minas. Realmente, vocês conseguem travar diálogo com os desejos do povo interiorano… A mesagem é sutil e profunda. Sobre São Paulo, os muito migrantes que deixaram o interior para desbravar a capital paulista – como o menino João – ainda trazem algumas notícias de lá… Senti-me na pele do menino… afinal, tudo é mar. Solidão. Sonho.

    Parabéns a todos da trupe pelo belo trabalho.

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