->Diário de bordo Nordeste 11

Fomos visitar o Memorial de Câmara Cascudo em Natal. Pela importância que ele teve na revelação e no estudo da cultura popular brasileira merecia uma homenagem muito mais expressiva da cidade em que nasceu e viveu. É decepcionante a exposição do Memorial, com instalações pífias, funcionários absolutamente despreparados, e uma completa falta de informações mais consistentes sobre sua obra e sua vida.Seria o caso de Natal homenagear esse grande intelectual da cultura popular brasileira com um belo museu, com uma livraria e uma biblioteca que divulgasse sua extensa obra. Enfim, coisas do Brasil. Se as cidades estimulassem um turismo mais cultural certamente pegariam um tipo de turista bem mais interessante e curioso por coisas fascinantes como, por exemplo, a cultura popular do nordeste e suas múltiplas manifestações.
Como sempre, fomos recebidos de braços abertos pela cidade de Natal. O espetáculo, marcado para as oito da noite, na remodelada praça do teatro Alberto Maranhão, já estava lotado desde as sete, com a arquibancada e todas as cadeiras e o chão tomados por um público ávido por assistir ao “Molière”. Foi uma pena não termos conseguido uma pauta no Alberto Maranhão para apresentar também o “Pequenos Milagres”. Nas nossas contas pouco mais de duas mil pessoas se apertaram para assistir ao espetáculo. E isso contando que muita gente desistiu, simplesmente porque não havia espaço suficiente para tanta gente.
A ida à cidade nos permitiu também fazer uma visita ao ” Barracão dos Clowns” , a nova sede do grupo “Clowns de Shakespeare”. O espaço deve ter uns 80 metros quadrados de área e é perfeito como sala de ensaios e para a administração dos negócios do grupo. Mais um passo importante na estruturação dos Clowns, que é hoje uma referência importante do teatro no nordeste. O grupo se prepara agora para montar “Ricardo III” de Shakespeare, com direção de Gabriel Villela.
Estar em Natal é também a oportunidade de encontrar com velhos amigos queridos como o pessoal do grupo “Estandarte” e do grupo “Alegria, alegria”.Foram e continuam sendo grupos importantes na luta pela chama do teatro, especialmente do teatro popular e de rua.
O bate-papo que fizemos em Natal também foi muito surpreendente, com uma presença maciça de uma moçada bastante jovem e com perguntas e reflexões bem consistentes.Dava para perceber como as pessoas, apesar da pouca idade, já tinham uma certa informação e também malícia sobre as questões mais prementes do ofício. É curioso notar como Natal, por ser uma cidade sem uma tradição cultural muito pesada, talvez por isso mesmo , consiga desenvolver um certo frescor, que torna as coisas um pouco mais fáceis e sem tantas elocubrações e dificuldades. É pensar numa fórmula que é simples, mas eficaz: teatro se aprende fazendo. E para isso é preciso praticar,e a partir dessa prática, encontrar um caminho. Bom, se fosse tão fácil assim, seria uma maravilha. Mas tem hora que precisamos mesmo ter essa postura diante das dificuldades.
Gostei também de conversar com gente da imprensa cultural do Nordeste, especialmente dos jornais de Fortaleza e de João Pessoa. Gente que te liga para fazer uma entrevista e que está muito bem municiada de informações e muito interessada pelo trabalho. E, o que é especialmente gratificante, gente que está jogando junto com o movimento cultural das cidades e da região e preocupada com o crescimento e a vitalidade do trabalho teatral de qualidade.

4 Respostas para “Diário de bordo Nordeste 11”

  1. Eduardo,
    me esforcei pra ir
    no bate papo em João Pessoa,
    mas não tive forças.
    Dormi só duas horas
    e às 8h30, quando cheguei
    fui direto pra redação,
    em casa, à tardinha,
    desabei
    só vim acordar de madrugada,
    mas amanhã
    – ou melhor – hoje à noite,
    estarei participando
    dos pequenos milagres
    que serão encenados
    por vcs.
    Abraço
    grande
    astier

  2. Salve, Eduardo e demais integrantes do genial Galpão! Não perderia a apresentação de vcs aqui em Natal por nada nesse mundo! Oportunidade rara por aqui de matar a saudade de vcs, de matar a saudade de casa (tbm sou mineiro, estou morando aqui em Natal há 3 anos) e até dos tempos do Descobrindo o Brasil 2000 na Ciclope, em que vc, Inês e Paulo abrilhantaram nosso trabalho no CD com suas participações. Só descartei ir a João Pessoa ver os Pequenos Milagres porque minha esposa está grávida do nosso segundo pequeno milagre, seria muito trampo. Sei lá, talvez ainda a convença até amanhã, quem sabe!

    Abraços grandes a vcs. Foi um momento marcante para mim voltar a ouvir a sonoridade de vcs, de procissão de semana santa de interior de Minas que tanto me emociona. Voltem mais. Todo mês se possível.

  3. Caríssimos amigos, obrigada pela passagem pelo RN. Anotei as observações quanto ao Memorial Camara Cascudo e levarei sugestões a instiruição responsável pela administração do memorial. Concordo que Camara Cascudo tem muito mais vida para mostrar, apesar de termos três espaços que se disponibilizam a contar sua história o Museu, o Memorial e a Casa, nenhum está realmente munido da grande história desse importante potiguar. Também levarei a Sec de Turismo. Faz um tempo realizamos um encontro que discutiu a relevancia do turismo cultural e do perfil deste turista, que “leva e traz” tanta coisa bacana de nossa cidade e estado. Tenho uma dúvida quanto a qual instituição você realmente foi: ao Museu ou ao Memorial? O museu fica na Hermes da Fonseca e o Memorial tem uma escultura de Cascudo suspensa na palma de uma mão. Então, onde foi?

    No mais deixo aqui meus parabéns pelo profissionalismo e simplicidade com que o Grupo realiza este ofício: a arte do teatro brasileiro. Sinto orgulho em ser brasileira quando me reconheço representada com tanta dignidade. Espero a volta de vocês o mais breve possível no RN. Um forte abraço em todos. Tati (produtora)

  4. Querido Eduardo, foi maravilhoso revê-lo, e ainda mais no palco. Matou um pouco das saudades que tenho de você, de Inês e dos demais integrantes do Grupo. Até uma próxima, que espero que não demore tanto. Grande abraço. George.

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