->Diário de bordo Nordeste 7

Dia intenso de atividades em Fortaleza. Quatro horas de oficina no espaço anexo do teatro José de Alencar. Um público ávido de informações nos esperava. A oficina estava prevista para 15 praticantes e 25 ouvintes. No fim das contas, tinham umas 60 pessoas, e a vontade de participar era tão grande, que resolvemos abrir a primeira parte ( uma demonstração de aquecimento corporal e vocal) para todo o grupo. A segunda parte, com dinâmicas e exercícios que exigiam uma maior concentração, foram feitas com metade do grupo.

 Incrível o interesse e a dedicação da turma, que se engajou às últimas consequências em todos os exercícios.Alguns deles apresentavam dificuldades bem acentuadas, e mesmo assim conseguíamos chegar até ao final, com alguns resultados bastante surpreendentes.Pensando no conteúdo dos trabalhos propostos, percebi que havia exercícios de variadas fontes, que vinham dos mais diferentes encontros do grupo. Eram os quadrados da Monica Ribeiro, os relatos de uma reminiscência infantil contada na primeira e depois na terceira pessoa do Henrique Dias, o relato de uma situação a partir de quadros estáticos do Cacá Carvalho, os jogos com a escala musical e coreografias no espaço do Ernani Maletta e alguns exercícios das antigas oficinas do Galpão, que tem as mais diferentes influências que remontam até aos diretores do “Teatro Livre de Munique”. Enfim, uma enorme miscelãnea, bem típica da forma de trabalhar do Galpão.

À noite, era a vez de vencer as dimensões do palco do José de Alencar com “Pequenos Milagres”. Por conta da posição das varas, o cenário ficou muito recuado, e tínhamos de vencer uma distância acentuada ainda mais pelo tamanho do proscênio.O aquecimento vocal ficou centrado na projeção e a percepção de cada ator em ouvir como sua voz chegava às cadeiras da platéia.O teatro é exuberante, mas como um típico espaço construído no início do século XX ( a inauguração é de 1910), ele tem aquela caixa operística que não é muito apropriada para a atmosfera intimista do espetáculo.

O público compareceu em bom número, com a parte de baixo e primeira galeria totalmente tomados.E superamos bem o desafio de projetar a voz sem perder o clima das cenas, especialmente nas mais intimistas. Fiz questão de sair para a cantina da entrada do teatro e encontrar com o público que deixava o teatro. A reação era bastante entusiasmada, e creio que as perspectivas para o espetáculo de hoje é de uma casa lotada. Será nossa apresentação de  despedida do Ceará. Amanhã cedo partimos para Mossoró, no Rio Grande do Norte, para montar o espetáculo  no teatro Dixhuit.

2 Respostas para “Diário de bordo Nordeste 7”

  1. Participei da oficina e agradeço a vocês por esse trabalho tão lindo feito conosco.
    Tenho um cotidiano acentuado no Theatro José de Alencar de aulas e exercicios. Participando dessa pequena “aula” , percebi quão grande é a diferença entre exercicios propostos aqui no Ceará, para outros, trazidos de outro estado.

    Parabenizo vocês pela belissima apresentação efetuada nesse sábado. Um espetáculo rico em detalhes e mágico, que emocionou-me muito.

    Espero, sinceramente, que voltem a Fortaleza e que contribuam ainda mais à cultura local e nacional.

    Grrradicidu. -em sotaque mineiro. ;]

  2. Eduardo
    Primeiro queria agradecer os dois espetáculos que tivemos oportunidade de assistir. O Grupo Galpão e o Grupo Corpo são duas jóias que Minas deu ao mundo, e isto é muito bom. Vocês são muito mineiros e muito brasileiros na sua forma de se relacionar e nas suas criações. Sentimos muito orgulho do trabalho de vocês. Isto parece estranho, mas não é, pois a existência do Galpão nos prova que é possível ser fiel a a arte e a missão do teatro de tocar aquela humanidade meio perdida ou relegada que habita em cada um de nós.
    Sobre “Pequenos Milagres”. Fiquei tocada e comovida. Você tem razão, é um espetáculo mais intimista. Mesmo assim, na minha condição de público, pude assistir tudo com tranquilidade e nitidez. Não houve prejuízo para as falas. O espetáculo foi numa linha diferente da qual, (eu pelo menos), se “esperava” do grupo. Mas quando o trabalho é bom esta “estranheza” só enriquece, pois surpreende.
    Sobre a oficina. Adorei ter participado. Vocês são receptivos e isto ajuda muito quando se quer experimentar muito em pouco tempo.
    Queria conversar com você também sobre as “três Irmãs”. Acho que não consegui ler tudo no Diário. Minha curiosidade se remete mais especificamente na visão que vocês tiveram dos personagens trabalhados.
    Um abração em todos, e em especial nas meninas que deram a oficina.
    Ecila

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