->Diário de bordo Nordeste 8

Fechamos bem a temporada de Fortaleza e do Ceará. O José de Alencar não chegou a lotar, mas estava bem cheio, beirando uns 500 espectadores. Como o público deixa para chegar na hora, sem ingresso e a bilheteria funciona morosamente, começamos o espetáculo com vinte minutos de atraso. Fomos até obrigados a explicar ao público que já esperava na platéia, que já estávamos prontos desde as sete e que o atraso se devia a uma enorme fila na bilheteria.
Mas fora um ou outro probleminha, a temporada do teatro José de Alencar foi linda. O público de Fortaleza ficou encantado com os “pequenos milagres” e o “Molière” e foi extremamente carinhoso com o Galpão. É muito bom perceber que o grupo cultiva na cidade um público que vem acompanhando nosso trabalho, tendo assistido também a “Romeu e Julieta” e “Um Homem é um homem”. E os grupos, os estudantes de teatro sempre nos procuram para dizer que somos uma referência principalmente pela longevidade e a qualidade do trabalho.
Foi emocionante ver os painéis de artistas nacionais e cearenses na exposição na área dos camarins do teatro. Estão lá, homenageados, mestres como Procópio, Dulcina, Vicente Celestino, Eva Tudor, Bibi Ferreira, Pascoal Carlos Magno e tantos outros que ajudaram a construir a dignidade do nosso ofício. Foi bonito também ouvir o depoimento do Sr. Mauro, um técnico que trabalha no teatro há mais de cinquenta anos, tendo começado nas novelas de rádio e participado dos primórdios da TV no Ceará, através da pioneira Tv Tupi. O José de Alencar aliás, é uma espécie de ilha de requinte e bom gosto no meio do centro de Fortaleza, que está totalmente tomado pelos camelôs e uma sujeira assustadora. Fora o mêdo que as pessoas te incutem o tempo todo. Como se ao colocar os pés na rua, você vai ser prontamente assaltado e atacado por mendigos e pivetes.
A cidade enfim sofre os problemas típicos de todas as grandes cidades brasileiras, que alcançaram nos últimos anos um crescimento e um inchaço vertiginoso, o que faz com que os problemas sociais se agravem de maneira quase irreversível.

3 Respostas para “Diário de bordo Nordeste 8”

  1. eduardo, foi emocionante o espetáculo. me arrepiei várias vezes e como O VESTIDO é bonito!

    passei o dia pensando no joão com o ônibus na mão e fiquei muito feliz em ter ido.

    sobre a bilheteria, é sempre assim. quem tem ingresso é sacrificado. quem não tem, fica puto (como se tivesse o direito a), e se entope na recepção do teatro, fazendo barulho e ficando indecisos na hora da compra, com relação ao lugar.

    sobre essa onda de “tenha cuidado, fortaleza é perigosa”, isso é um problema do fortalezense “mais remediado”, que não anda na rua. fortaleza não sofre os problema típicos das grandes cidades, porque nas grandes cidades pessoas resistem, subvertem e saem na rua, normalmente. até as cidades em guerra têm pedestres. fortaleza não os tem. só os que não tem outra alternativa. quem tem, vai de taxi, vai de ônibus, vai de carona, trem ou carro. andar? JAMAIS.
    tento todos os dias pensar em alternativas para caminhar, ainda que muitas vezes eu seja a única na rua (uma rua típica do meu bairro é vazia de pedestres). quando a gente que é cearense chega num lugar como sp, rj ou mg, fica extasiado com os caminhantes, com a caminhabilidade das ruas (aqui nao tem nem calçada, muitas vezes, pra quê?).

    um beijo carinhoso a todos vocês e continuem.

  2. Estive entre esses que tietaram o Galpão em sua estada em Fortaleza. Aliás nunca tietei ninguém, mas dessa vez achei impossível conter a vontade de expressá-los o quanto nos orgulha vê o tamanho do potencial do teatro brasileiro, nossa cultura bem representada, nossos costumes, nosso jeito e nossa cara, sem preocupações de importar estilos. Lindo, divino, maravilhoso, explêndido e todos os adjetivos que possam engrandecer algo em nossa língua caberiam aqui. Ví e me encantei com o Moliere apaixonado ou apaixonante? Tanto faz, só muita paixão para produzir algo tão lírico. E quando pensava que tinham dado tudo que podiam, eis que realmente poderia se dizer só um “milagre”, mas um “grande milagre”, apesar dele se dizer pequeno. A luz e a escuridão, as água e o fogo, o profano e o sagrado. Como um mesmo grupo pode ir de um extremo ao outro com tanta qualidade. Fascinante. Mas não era tudo. Cheguei em casa e fui assistir, ou me deleitar com “Romeu e Julieta pra inglês ver”. Disse para a Teuda beijoqueira no José de Alencar sábado a noite: vocês nos orgulham de sermos brasileiros. Vê o povo inglês babando de emoção e encantamento pela releitura com cheiro de queijo de Minas da tragédia (será só isso?) de Shakespeare me levou às lágrimas. Não me canso de assistir, e falar pra todos que encontro. Bravo, bravíssimo!!! Desculpem o tamanho do texto, mas queria dizer muito mais, porém não quero ser mais chato do que já fui ocupando o espaço de todos. Espero Vê-los em breve pro nossa calora terra. Rsss.
    Há, quanto ao público, preciso dizer que as apresentações de vocês em Fortaleza precisam ser melhor divulgadas, para se ter uma idéia, tenho um amigo jornalista no nosso grupo de teatro que não foi na quinta pois não soube!

  3. Sou de Fortaleza e tive a oportunidade de prestigiar o grupo Galpão com a peça Um Moliere Imaginário. Fiquei estasiada. Vocês foram magníficos e a história é encantadora. Parabéns ao grupo pelo trabalho de ator e por nos apresentarem personagens tão bem constridos.

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