->RAPIDINHAS:Tristes notícias do RIO

Melancólico o quadro traçado pelo trágico, mas absolutamente lúcido artigo escrito pelo nosso colega Dudu Sandroni sobre a falência de uma das melhores experiências de ocupação de teatros públicos já feitas no Brasil: a ocupação de teatros da rede municipal por grupos e diretores artísticos, que ocorreu no Rio nas décadas de 90 e parte dos 2000. O artigo foi publicado na página 2 do Segundo Caderno de “O GLOBO”, de 07 de fevereiro.

A experiência de ocupação da rede pública dos teatros no Rio foi responsável por boa parte da renovação do teatro carioca, dando oportunidade a grupos como o Fudidos Privilegiados, Cia dos Atores, só para citar dois dos que hoje são grandes nomes do teatro no Brasil. O próprio Galpão teve sua primeira oportunidade de fazer uma temporada no Rio, com a administração do teatro Glaucio Gil, em Copacabana, feita pelo Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, coordenada pelo Aderbal Freire Filho, Dudu Sandroni,e outros; experiência esta que capitaneou toda uma geração talentosíssima do teatro no Rio.

Segundo Dudu, “o golpe de misericórdia foi dado pelo cancelamento dos contratos que mantinham os sistemas de som e luz dos teatros públicos. Resultado: os custos de luz e som terão que ser arcados pelas produções que ocuparem os espaços. O gargalo da pressão econômica só vai apertando. E não tenham dúvida que isso será um golpe mortal para a renovação do teatro.Grupos novos e talentos promissores terão o acesso aos teatros ainda mais dificultado.O golpe é fatal também para os grupos, que tem seus trabalhos calcados em propostas e projetos. Fica a pergunta: quem vai se arriscar a uma temporada num teatro  cada vez mais caro sem ter um rosto que apareça na TV e que possa garantir um retôrno de bilheteria?

Lamentável notícia.  Ficamos esperando que a classe e opinião pública do Rio e do Brasil reajam a essa mais nova prova de incompetência e presunção de burocratas, que mandam e desmandam sem nenhum conhecimento de causa, e com total desprêzo pelos artistas e a nossa cultura. E que o Rio consiga sobreviver e não seja devorado pelas chamas da insanidade de um certo César, que ainda estará dando as rédeas e tocando sua lira do alto do Corcovado, pelo menos até o final deste ano.

Uma Resposta para “RAPIDINHAS:Tristes notícias do RIO”

  1. Faço parte de um fórum de teatro do yahoo, onde trasmiti a referida matéria na íntegra, o que gerou uma calorosa discussão.
    Alguns artistas e produtores, indignados, propõem que a categoria volte a se mobilizar, pedir explicações e soluções das administrações públicas.
    Não só estou de acordo, como darei minha contribuição, mas, sinceramente, espero que desta vez o movimento não desabe, como aconteceu com as reuniões no Teatro Sergio Porto, quando o então gestor Miguel Falabella criou o Fate.

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