->Segunda etapa da turnê – Caraguatatuba

Segue relato de Eduardo Moreira sobre Caraguatatuba, a segunda parada do Grupo na Turnê Litoral:

Todo mundo aqui só chama a cidade de Caraguá. As placas das lojas e mesmo da prefeituras estão escritas assim. A cidade é um balneário que vive em função do turismo. Estamos num hotel chamado “Litoral Norte” que é um prédio que lembra um conjunto habitacional. As janelas dos quartos dão todas para os fundos do mar, um canal bem mixuruca. A praia, uma baía, não é limpa. O banho está vetado. A paisagem das montanhas é deslumbrante, mas dói no coração ver o mar e não poder entrar.
A estrada de Paraty até aqui é também deslumbrante, passando por um parque florestal, que preserva um pouco da serra do Mar e da mata Atlântica. Dizem que a Rio-Santos foi construída de maneira toda errada, sem respeitar a conformação das montanhas. Chegamos num meio feriado porque é dia de jogo do Brasil contra o fraquíssimo time do Chile. Por mais que as pessoas queiram comemorar,soprar buzina e fazer festa, as atuações da seleção nacional não chegam a entusiasmar ninguém. A comemoração é frouxa, principalmente para um povo que gosta e entende de futebol, gênero meio escasso nessa copa da África do Sul.
Visito duas rádios com o intuito de incrementar a divulgação do espetáculo. É sempre ótimo fazer rádio. Nunca encontrei um profissional de rádio que não fosse simpático, boa praça e que não me tratasse com carinho. São os verdadeiros comunicadores do Brasil. À tarde,numa pequena sala de cinema,fazemos um encontro com alguns atores e diretoes de teatro da cidade. Caraguatatuba tem uma fundação de cultura bastante ativa, que desenvolve programação ao longo do ano todo. Eles são os principais apoiadores da nossa apresentação. No debate, boas perguntas e uma ótima oportunidade de ver como andam os grupos ou os projetos de grupos na cidade. A grande dificuldade é a continuid ade. A fundação de cultura oferece todos os anos cursos de formação teatral. Alguns grupos se formam, mas logo se desfazem. Os artistas acham que precisam de cursos mais específicos. A cidade tem um belo teatro para 600 espectadores, que é o teatro Mario Covas. A unica exceção para este quadro de precariedade e instabilidade é o grupo “Popatapataio”, dirigido pelo Daniel Forjaz, que vem desenvolvendo há muitos anos um trabalho ligado à infância, a escola e a rua.
O nosso “till”, apresentado na Praça de Eventos, uma enorme área descampada, em frente ao mar, tem um bom e surpreendente público. Fico sempre curioso e me perguntando até que ponto uma apresentação dessas pode ajudar na formação de um público de teatro para a cidade. A impressão que dá é que boa parte do público é de pessoas que tem o costume de frequentar teatro.Pelo menos as pessoas que nos procuram para conversar depois da apresentação são os frequentadores de teatro. Além, é claro de muitas crianças e também alguns jovens e adolescentes. A reação é muito efusiva e cheia de vibração. Dia seguinte, hora de partir para pegar a balsa  na hora da maré cheia para Ilha Bela, próximo a São Vicente, próxima parada da nossa caravana.

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