->Uma perda irreparável

Chegando a São Paulo para a estreia de “Tio Vânia” numa curta temporada no teatro SESC Vila Mariana, fui surpreendido pela notícia do falecimento de Marcelo Castilho Avellar.A notícia caiu como uma bomba entre todos nós do Galpão. Marcelo foi, sem sombra de dúvidas, um dos mais brilhantes expoentes da nossa geração. Dono de uma erudição e de um conhecimento fora do comum, era um dos críticos mais lúcidos e inteligentes e que escrevia com uma clareza que hoje nenhum outro representante da imprensa escrita na área de artes cênicas no Brasil ostenta da mesma forma. Num momento em que vemos o jornalismo crítico e debatedor de idéias perder mais e mais espaço na mídia escrita. Num momento em que a crítica cultural se exime cada vez mais em aprofundar questões e temas inerentes às artes, restringindo-se a indicar, com estrelinhas ou bolinhas, um espetáculo ao gosto do espectador-consumidor, a perda de uma figura como Marcelo Castilho, é mais um vazio, é uma verdadeira tragédia.
As melhores críticas feitas ao trabalho do Galpão foram escritas pelo Marcelo. E não pelo elogio, mas pelo capacidade de fazer conexões que iam muito além do espetáculo em si. Marcelo era um desses observadores privilegiados que, com embasamento, era capaz de fazer essas conexões, que nos ligam a um passado e nos projetam a um possível futuro. Sua escrita fluida, cristalina e inquieta não deixa substitutos. Uma perda irreparável.

4 Respostas para “Uma perda irreparável”

  1. Uma perda enorme, sem dúvida — que se torna ainda maior nesses tempos em que a cobertura da cultura na mídia cada vez mais se torna mero entretenimento.

  2. Mais uma cabeça genial que vai pro andar de cima…este lugar está ficando difícil de habitar.

  3. Realmente, O Brasil perde, este buraco nunca será preenchido, Marcelo era único e ainda é! Não sairá da memoria, das nossas histórias, do nosso fazer artístico, das ruas desta cidade, sua infinita sabedoria, agora Marcelo Castilho Avellar segue ao infinito…

  4. Sim, Eduardo. a morte de Marcelo foi uma perda irreparável. Muitos artistas do interior de Minas, acredito, não só lamentam essa perda, mas têm com ele uma dívida de gratidão. Com suas provocações e, para alguns, excentricidades, nortearam o rumo de várias construções artísticas. A genialidade ímpar do nosso amigo, muito provavelmente, fez com que ele se sentisse inconformado e desconfortável com os condicionamentos do mundo, ao ponto de acumular essa inquietude dentro de si, extravasando-a somente em alguns momentos através da escrita, o que pode até ter ocasionado a sua morte. Vai saber. Mas, ficam aí os ensinamentos deste mestre, a reflexão sobre o seu olhar sempre crítico. Acho que ele permanece na cena cultural mineira, nem que seja como uma referência do que já foi construído antes. Um abraço, querido. E merda pra todos nós, né?

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