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(1997 - 2007)
Em " Um Molière Imaginário" , o Grupo Galpão se valeu da direção de um de seus componentes, o ator Eduardo Moreira, para um texto do dramaturgista Cacá Brandão, elaborado a partir de improvisos dos atores. O espetáculo projeta "O Doente Imaginário", original de Molière, sobre um pano de fundo que investiga a natureza e a função do teatro, enquanto homenageia o mais importante comediógrafo de todos os tempos.
Nesse contexto, surge em cena a Rainha Mab, personagem roubada do "Romeu e Julieta" de Shakespeare. Mab introduz no espetáculo a possibilidade do sonho e, através dele, arrebata o próprio Molière da tumba em que repousa há mais de trezentos anos para, aproximando-o de Machado de Assis, dar-lhe novamente a palavra e restituir-lhe a dignidade, vilipendiada por um enterro aviltante. No miolo da ação, desenrola-se a história de Argan, avarento e hipocondríaco, a última grande criação do dramaturgo e comediante francês. De maneira divertida, Molière desnuda a hipocrisia social e os abusos da cabala médica.
O espetáculo, fiel ao humor crítico de Molière e à irreverência característica do Grupo Galpão, é temperado com o lirismo presente nos entreatos. Para se obter esse equilíbrio, é decisiva a contribuição da trilha sonora, que, variando da ópera ao bolero, é executada ao vivo pelos próprios atores. Fernando Muzzi compôs as canções e temas dos entreatos e Ernani Maletta os trechos operísticos interpretados pelo casal de amantes.
Mais de cem cidades brasileiras já aplaudiram "Um Molière Imaginário", geralmente grandes massas de público, em praças e ginásios. Em Santiago do Chile, foi ovacionado por mais de dois mil espectadores, acomodados nas arquibancadas de um hipódromo e, na cidade do Porto, reinaugurou o tradicional Teatro Nacional São João, onde recebeu uma consagração do público português. |

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