|
(2003 - 2007)
No espetáculo “O Inspetor Geral”, sob a direção de Paulo José, o Grupo Galpão se utiliza da comédia para falar sobre a impostura, a hipocrisia e o medo. O texto, escrito em 1836, é tão moderno quanto as melhores peças deste século, principalmente pelo seu conteúdo de crítica e denúncia dos males que afligem o mundo de hoje: o suborno, a impunidade, a corrupção dos governantes, a malversação do dinheiro público, a insensibilidade dos poderosos diante da fome e da miséria do povo.
O enredo do espetáculo “O Inspetor Geral” retrata um mal-entendido. O governador de uma província longínqua da Rússia imperial recebe uma carta de um amigo da capital, alertando-o sobre a possível visita de um Inspetor Geral, nomeado pelo czar, para fazer uma devassa na administração pública dos mais remotos cantos do país.
Esse inspetor viajaria incógnito e em missão secreta, o que aterroriza o Governador e seus assessores, administradores corruptos e exploradores de seus governados. Um forasteiro se hospeda no hotel da cidade. Não diz a que veio nem segue viagem. A suposição de que seja o alto funcionário de São Petersburgo acaba por se transformar em certeza: ele é, de fato, o temido Inspetor Geral.
Na verdade trata-se de um pequeno funcionário público, Ivan Aleksandrovitch Klestakov, em viagem para uma província vizinha. Perdera todo o dinheiro jogando cartas e não tem como pagar as despesas da hospedagem.
O extraordinário efeito cômico da obra de Gógol está na desproporção. Os habitantes da cidade vêem o visitante através das lentes deformadoras de sua má consciência e do medo da justiça, cegos para o que está realmente diante deles. |

Clique nas fotos para saber mais sobre os espetáculos
 
 

|
|